Wednesday, March 11, 2026

O mundo não gira, ele capota.

Queria poder descrever com elegância, leveza e romance a minha experiência de imigrar para a europa. Mas pasme, aos 43 anos ainda não identifiquei meu estilo de escrita - eu sei que devo ter um - então, sigo provavelmente em um formato que beirão a um diário.

Em 2025 aconteceu de forma concreta o que eu nunca me vi fazendo, que foi casar e mudar de país com escopo aberto. O que seria esse "escopo aberto"? Eu não vim com trabalho arranjado, eu me mudei porquê é aqui que meu companheiro reside. Sim, nem mesmo eu, que sou dona da minha vida conseguia imaginar tal enredo pra minha história. Só sei que foi assim.

Mas como isso aconteceu?
Bom, em 2024, eu reencontrei uma pessoa que eu sempre gostei muito, mas que realmente nunca tinha imaginado qualquer coisa a sério entre nós, principalmente por ele morar depois do oceano. Eis que nesse reencontro, eu senti um abalo e ao mesmo tempo um clareza muito grande, que quando ele voltou pra cá eu pensei "pq eu deixaria de viver essa história? Só pq ele mora ali, do outro lado do oceano?" então comecei a ver possibilidades de me mudar pra cá só pra ter um namoro de perto, pra gente vê se era isso mesmo, até porque, eu não sabia se ele tinha sentido o mesmo, e óbvio que eu não queria forçar nada do que já não estava rolando, que era a vontade de se ver, de estar junto e tudo mais que casais fazem.

Comecei meu plano, disse pra ele que iria me mudar e começaria uma vida por cá. Ele demonstrou felicidade, aí comecei. Tirei meu passaporte, arranjei novos trabalhos pra guardar dinheiro, procurei me informar sobre vistos e todo o processo normal. Bem. Eis que, ele surge com a ideia, "que tal nos casarmos?" opa! Pera, não era só eu que tava tão emocionada assim, foi tão natural, que eu nem consegui cair no meu próprio pragmatismo, eu apenas disse 'SIM'.

Em Outubro de 2025 ele voltou pro Brasil, e casamos, em outubro viemos e aqui estou.

Em abril vamos fazer 6 meses de casados e 6 meses de relacionamento sério. Eu sigo com a certeza de que eu tava muito certa no impacto que senti no nosso encontro, mas não tem sido tão simples - como eu já imaginei que fosse - no âmbito profissional; nesse campo ainda tenho muito o que andar, e no auge dos meus 43 anos digo, não é fácil recomeçar quando a gente já vem construindo uma carreira desde os 18 no próprio país. Mas ele me dá tranquilidade, ele me ajuda a acalmar quando ansiedade ataca por não estar trabalhando aqui, ganhar em reais e gastar em euros me deixa um pouco limitada. Mas é melhor do que não ter nenhuma autonomia financeira. Porque, casada sim, mas prisioneira, jamais!