Wednesday, August 23, 2017

Relacionamentos Abusivos


ATENÇÃO: Alerta de textão. Textão mesmo! Afinal, são 35 anos de vida.
Sinais de Relação Abusiva. Pessoas abusivas são freqüentemente, elas mesmas, sobreviventes de abuso. O comportamento abusivo pode variar desde o abuso emocional, verbal, até o físico e sexual. Freqüentemente uma pessoa abusiva emocionalmente é também abusiva verbalmente ou uma combinação de todos os tipos acima.             (www.sosmulherefamilia.org.br/sinais-de-relação-abusiva)

  Não sei ao certo o que me levou a compartilhar isso aqui, não tive nenhum episódio recente que tenha me feito sentir alguma dor, o que eu imagino que o motivo é,que existem episódios das nossas vidas que por algum motivo escolhemos não compartilhar e eu me pergunto por que esperei tanto tempo para externalizar isso? Existem muitas possibilidades, mas as principais são:

- As pessoas não querem saber o que acontece de ruim com a gente;
- Faz tanto tempo que nem vale ficar contando, isso não interferiu em nada na minha vida;
- Não sei, não encontro deixas para falar sobre isso...
- Ser "coitadinha" não faz meu estilo

Seja qual for a desculpa que você use, todas não são motivos, são só desculpas para não falar sobre um ou mais de um - que é o meu caso - episódios de violência que sim, deixou marcas, se não nós não teríamos nos forçado a esquecer. Quantas vezes você, para aconselhar uma amiga. usa exemplos de situações que você quebrou a cara para deixá-la melhor ou para evitar que o mesmo aconteça? Mas quando se trata disso, parece que preferimos ouvir a ter que fazer um depoimento sobre nossas experiências.

Então, hoje eu resolvi compartilhar as minhas experiências de relacionamentos abusivos, que não necessariamente foi vivida com namorados, e eu espero sinceramente que essa minha ação ajude todos a tratar esse assunto abertamente, no seu tempo é claro, mas que esse tema deixe de ser um tabu. Eu acredito que quanto mais abertamente falamos a respeito o assunto fique tão comum que todos consigamos ficar atentos a qualquer sinal de abuso sofrido ou feito por nós.

1 - Amigo da Família

Como todo mundo, nossos pais, avós, tios e toda família tem amigos, pessoas que circulam na nossa casa todos os dias, fins de semana, eventos e tudo mais e claro, na minha não é diferente. Quando eu ia para a casa do meu bisavó - que era um morador de beira de rio (ribeirinho) = tinha na casa dele uma TV, o que na época não era algo comum, então muitos vizinhos e amigos chegavam para assistir jornal, pois bem. Tinha um que o apelido dele era "Soldado" e ele era sempre muito engraçado, um sr. de seus 40 e tantos anos, cheio de caretas engraçadas, era quase um primo da minha mãe de tanto que convivia com eles, então eu o via com muita frequência. Quando foi uma certa noite, sentado na cadeira eu passei na frente dele e ele pegou no meu braço e disse "Senta aqui tia" e fez sinal pro colo dele, eu não lembro muito bem, mas eu acho que disse não, porque no momento que ele fez isso a TV iluminou muito forte e como na casa não tinha energia - a TV funcionava ligada a uma bateria - o rosto dele ficou iluminado de um jeito aterrorizante, eu disse não. Só que ele me carregou e me colocou no colo dele mesmo assim e disse que era pra eu ficar quieta porque eu estava fazendo muito barulho andando de um lado pro outro da casa. Eu só tinha uns 8 ou 9 anos, é claro que eu ficaria andando pela casa, eu não me interessava por TV quanto mais jornal.
Então, sentada no colo dele ele deslizou a mão pra minha coxa e logo em seguida, sem cerimônia pra minha virilha, eu desci num pulo da coxa dele e corri pro braço da mamãe. Desde então eu o via e corria pra me esconder dele. Por que? Por que eu senti medo se eu não tinha conhecimento do que ele pretendia fazer? Por que aquilo me pareceu errado se eu nem sabia da existência do sexo? Se nunca ninguém tinha me falado para eu tomar cuidado com certas ações de certas pessoas além do básico que não é pra falar com estranhos e nem aceitar doces?
Fica aí o questionamento, né verdade?

2 - Babá

Para terem parâmetros em relação a épocas digo que sou nascida em 82, então, entendedores entenderão.
Era muito mais comum na minha infância e pré-adolescência a maioria das famílias terem condições de ter um que hoje é chamado de doméstico e na época a expressão mais usada era "empregada" que normalmente eram filhas de parentes distantes que vinham para a cidade para terem oportunidade de estudo, e outras eram indicações desses parentes. Pois bem, tivemos uma que era responsável pela organização da casa e também de nós (meu irmão e eu), e ela já estava a uns anos conosco, tudo ia muito bem, até que na copa de 90 a família tava reunida pra ver o jogo na casa dos meus avós, de quem eu sempre fui vizinha, e os primos estavam todos reunidos, aí, a minha babá que estava responsável por todas as crianças mandou todos os meus primos brincarem lá fora e pediu pra que eu e um outro ficássemos que ela ia contar uma história pra gente. A história era... pra ficarmos nus e deitarmos na cama com meu primo por cima de mim enquanto ela olhava, e eu lembro muito bem que eu falei pro meu primo que ele tava me machucando e ele também tava se machucando e ela irritada mandou ele sair de cima de mim e eu me vestir e sair do quarto, ficando só ela e ele lá com portas fechadas.
Não contei nada disso pra minha mãe, e ela foi demitida meses depois por ter roubado alguns cruzeiros da minha avó.
Nesse momento minha inocência foi quebrada.

3 - Meu primeiro namorado mais velho

Eu, no auge dos meus 14 anos conheci por acaso um inquilino do meu avô, e depois desse primeiro contato que foi quando eu tinha acabado de perder minha avó ele se aproximou, e se aproximou muito, tanto que começamos a namorar, foi com ele que perdi minha virgindade, claro que consenti, e eu queria muito, eu falo por mim, não me arrependo de ter tido minha primeira relação com 14 anos e nem com um homem 16 anos mais velho. Afinal, não foi ele quem quebrou minha inocência. Tudo que eu fiz foi consentido até que aconteceu algo que mais grave que me fez terminar, mas irei na sequência cronológica.
Quando fomos namorar oficialmente minha mãe foi muito contra por causa da idade ele, mas no fim ela acabou permitindo, então, tudo ia muito bem até que alguns meses ele começou a sumir nos finais de semana e só aparecia na segunda e dizia que tinha viajado com a irmã e o cunhado, ok. Eu agia de boa com isso, eu não desconfiava dele, até porque, eu tinha uma tia ótima conselheira, ela sempre me dizia o que fazer em situações assim e eu sempre ouvia. Não ligava pra saber onde tava, quando vinha, nada. Era muito na minha, até que eu não lembro quando, em que momento do namoro ele começou a ser o louco doentio. AS coisas foram começando de um jeito que nunca me dei conta de que aquilo era abusivo. Exemplos: Na época o celular analógico já existia, mas era extremamente caro ter e manter um, ele tinha, claro, já trabalhava, eu não, então para falar comigo tinha que ser no telefone fixo da casa do meu avô, e ele surtava quando dava ocupado, surtava mesmo, de ir pra casa só pra ver quem estava usando o telefone fixo da casa do meu avô; - Uma vez estava sentada na parada de ônibus esperando ele me buscar no colégio (ele me levava e me buscava todos os dias) um rapaz que veio de algum lugar do mundo sentou no mesmo banco esperando o ônibus dele, quando ele chegou e viu foi logo gritando querendo saber quem era o cara;
Eram tantos absurdos que só para descrever essas situações precisaria de outro post textão.
Bom, além desses shows diários que ele deu durante 2 anos de namoro a gota d'água foi na noite que ele chegou porre no portão de casa com o pretexto de me devolver o micro system que eu tinha emprestado, me pediu um copo com água e eu abri o portão e ele entrou, dei a água pra ele e ele disse que tava muito bêbado e perguntou se podia dormir lá, morava só meu avô e eu nessa época e eu com medo de que ele dirigisse naquele estado, assumi o risco de chatear meu avô por ter permitido um namorado dormir em casa sem falar com ele antes e deixei ele subir.
Ele deitou na minha cama e eu na rede, quando apaguei a luz e finalmente fechei os olhos fui surpreendida com um soco. E aí... começou a luta.
Liguei a luz e perguntou se ele tava doido e ele disse que tinha certeza que eu transava com outro, as acusações dele eram embasadas no fato de eu não querer mais ter relações sexuais com ele. Veja só... se eu não queria mais sexo com ele era porque eu tinha outro, jamais seria porque nosso namoro tava uma bosta. Por que eu tinha que aturar crises de ciúmes diárias dele, ataques de fúria diários, ligações de estranhos dizendo que eram meus admiradores secretos a mando dele pra saber se eu cairia.
Naquela noite eu mostrei toda a minha força de quem foi criada pra ser o que eu queria ser, para fazer o que eu queria fazer e não para o que os outros me dissessem.
Lutei até o fim e ele não conseguiu me violentar, que era o objetivo dele.
Foi a pior noite! no dia seguinte agi como se nada tivesse acontecido, nunca contei essa experiência pra ninguém da minha família. Meses depois ele procurou minha mãe para pedir a ela que depusesse a favor dele em uma acusação que ele tava sofrendo de ter entrado no apartamento de alguém que ele conhecia.
É cada louco que aparece né?

4 - Namoradinho de Infância

Depois desse fim trágico, reencontrei meu primeiro amor. Um namorico platônico que tive desde pequena e que não tinha dado certo antes porque eu nunca podia sair de casa e ele já ia para carnavais fora de época e eu só podia namorá-lo nos fins de semana de 19h as 22h na sala de casa com todos vendo TV...rs o famoso "namorar de porta"
Então, quando nos reencontramos foi um pouco diferente, eu já era mais espertinha, já não era mais virgem... e aí que na nossa primeira noite juntos (12-06-1999) eu engravidei ✌ (espertinha eu né?);
Então, fase do susto passada, fui forçada a ir morar na casa do tal, atitude muito comum na época e acho que ainda acontece nos dias de hoje.
Beleza. Estava lá, brincando de ser gata borralheira, limpando, lavando, passando...até que perdi o bebê e permanecí morando lá até o tempo do resguardo, e nesse período adivinhem, ele arrumou uma namorado no colégio dele (fala se fudi de novo, mais uma vez ).
Como ele já estava de saco cheio de me ver por ali atrapalhando a vida dele, ele começou a me menosprezar, cada "brincadeira" dele comigo era do tipo: " Tu tens que te arrumar, te vestir de mulher, pintar teu cabelo de loiro, usar shortinhos curtos, ser mais sensual. Tu nem age como mulher, nunca olha minha carteira nem as minhas coisas pra saber se tenho outra." S É R I O!!
Mas o ápice foi quando uma noite, conversando com nosso amigo também de infância ele falou assim "tu é largona, tens que fazer pompoarismo, já nem era mais virgem quando a gente transou" e nosso amigo constrangido com a situação chamou a atenção dele e o amigo me pediu desculpas. E então terminamos, não por isso, mas porque ele decidiu apresentar a outra. Sim, eu não tinha vergonha na cara e eu acreditava que ele era o amor da minha vida.

7 - O Melhor Namorado de Todos. Nas redes sociais.

Estava eu lá, vivendo minha vida, tendo um rolo com um ex namorado, e aí do nada, pow! Esse ser mais perfeito e encantador reapareceu na minha pacata vida. Eu o conhecia, e o pouco que vi já não gostava, mas de certa forma eu tinha uma "aproximação" natural com ele, apesar de ele demonstrar ser um cabeça seca eu me sentia feliz em ajudar com o que ele precisava, seja pra conhecer alguém, pra conseguir emprego, rir das besteiras que ele falava. Aí nos afastamos e de repente ele foi morar no meu bairro e quando vi, estávamos fazendo exercícios juntos. Ele era uma companhia para meus momentos de solidão, e o melhor, uma companhia que não dava encima de mim, e era super engraçado, incentivador e sentimental. Ele era outra pessoa do que havia conhecido anos antes.
Então começamos a sair com frequência, até que em um show que eu fui chamei ele e ele topou porque tinha uma paquerinha dele que tava por lá.
Beleza, show vai, show vem, uma amiga minha começou a brincar dizendo que ele parecia muito afim de mim e que a gente combinava, e a gente não levou a sério, até que no meio do evento por algum motivo besta, nos beijamos. Foi o melhor beijo da minha vida! Sério! Pareceu coisa de filme, o mundo ficou silencioso ao meu redor, o beijo foi infinito e eu nem tava me importando com absolutamente nada, e com ele também foi assim.
Começamos a ficar, e as ficadas foram ficando cada vez mais frequentes, e o meu rolo com meu ex tava ficando cada vez mais longe, só que eu esqueci de comunicar os 2 de que eu tava ficando com eles dois, apesar de eu achar que não devia falar, já que era só fica...mas...foi a principal reclamação deles quando souberam que eles não eram únicos.
Então, rolou o momento da escolha, eu tinha que escolher um, não podia ficar com os dois, o que era lamentável porque um completava o outro na minha vida, um era mais calmaria e o outro era fogo, intensidade, paixão.
Aí a pessoa aqui, que tem sangue correndo nas veias escolheu qual? O quente e apaixonado.
Ganhava flores todos os dias, café na cama, cafuné, carícias nas costas intermináveis, riamos de tudo, víamos várias séries juntos, tínhamos nossa música, era tudo perfeito. Tão perfeito que o fato de ele implicar com o comprimento do meu vestido era bobagem, que deixar de tratar meus amigos pelos apelidos que eu tratava era bobagem, me importar porque ele queria a senha do meu celular? Opa! Pera lá...tem algo de errado que não tá certo, intimidade tem limites. O.K falei isso pra ele, ele não aceitou numa boa mas eu me impus e pronto! Aí, depois desse episódio as coisas foram ficando mais repetidas, os cuidado foi ficando excessivo, as cobranças mais pesadas e tudo sempre com um tom de " É isso que casais fazem, tu tens que aprender a ter um relacionamento sério", e só foi piorando a cada mês e a cada ano. Foram 3 anos juntos, 1 dele morando juntos... nossa, esse relacionamento abusivo foi o que mais me feriu, mais deixou marcas, e escrevendo sobre ele me fez ver que as marcas foram realmente profundas, tanto que nem consigo escrever mais sobre esse último...
Talvez, um dia eu consiga relatar como consegui os outros acima.
Já tem aproximadamente 4 anos que terminamos, mas até hoje não consigo ver a vida com a mesma leveza que via antes, não consigo mais me achar bonita, interessante e inteligente como eu costumava me achar.

Com tudo isso que vivi só posso chegar à conclusão de que MERDA acontece, só fique de olho aberto para saber o quanto antes que ela está acontecendo e sair com menos machucados possíveis.

Se você conseguiu chegar até o fim desse livro, e quer compartilhar uma experiência ou interagir de alguma forma deixo meu e-mail para que você se sinta mais a vontade para falar danyelle.aires@gmail.com


pela atenção!




Saturday, June 24, 2017

3.5

Comemorando os 30 com 1 ano de antecedência (2012)
Dia 01 de julho completo 35 anos. O que dizer desse tempo de vida?
Vou começar pelas expectativas que eu tinha em completar 30:
1- Nenhuma em especial.
Nunca fui de fazer planos pro futuro, sonhava, mas não planejava, não colocava metas, apenas vivia um dia de cada vez, um mês por vez e no fim dos anos eu olhava pra trás e não tinha novamente nada projetado pro ano seguinte. Nem aquelas listas de "10 coisas para fazer no novo ano", até tentava escrever é verdade, mas nem no dia seguinte eu tentava realizar o que tinha listado.

Até que, esse ano eu me dei conta do caminho que minha vida seguiu, apesar de conscientemente nunca ter criado metas eu acabei realizando alguns dos sonhos que as vezes tinha mensionado em ocasiões que me perguntavam "O que tu queres pra tua vida?".
Essa pergunta até os meus 26 anos eu respondia duas coisas: "Quero morar na praia" e "Quero ter uma padaria", toda vez arrancava risos do entrevistador - é, eu respondia isso em alguma entrevistas - e aí com o passar dos anos fui parando de me imaginar no futuro, só tinha uma certeza; eu queria festejar meus 30.
Os 30 chegaram, mas não foi bem como esperei, foi uma fase dificil, cheia de transições, aos 30 estava em um trabalho que eu não era feliz, tinha um re;acionamento abusivo que eu não tinha consciencia que estava, comecei a fumar, bebia quase todo fim de semana, morava ainda na casa da minha mãe e ainda levei o namorado pra morar comigo (coisa que fui meio forçada), enfim, no geral minhas lembranças dos 3 primeiros anos da década tão esperada foi desgastante.
Aí, aos 33 anos (exatamente) minha vida deu uma virada maravilhosa!
Chega de tempos negros, de dias que eu me forçava a rir pra não pirar, de morar na casa da minha mãe que era num lugar extremamente barulhento.
No mês que completei 33 mudei de cidade, comecei a trabalhar com a minha área, num emprego cheio de benefícios, uma empresa que eu realmente fiquei feliz, e com ela vieram os tais desejos que tinha pra minha vida que eram eles:
- Sair da minha cidade (mudei para um muncípio a duas horas da capital)
- Sair da casa da mamae (obvio)
- Ter internet (só no celular dado pela empresa, mas já tava contando)
- Chuveiro elétrico (isso foi sorte, já veio na casa)
- Ar-condicionado (também já veio na casa)
- Dinheiro para comprar todos os livros que eu quero (melhor de todos!)
- Morar perto do trabalho (em 5 minutos, adando pro trabalho já estava lá)
E claro, trabalhar com o meu amor, MARKETING.
Então, comecei a trabalhar e aprender coisas novas, e no marketing de saúde. Estava fazendo pós-graduação, tava solteira e super magra.
Em janeiro do ano seguinte fui convidada a trabalhar em Belém ganhando o dobro do que eu recebia. Isso me deixou tão nervosa, era a segunda vez que estava sendo convidada a trabalhar em uma empresa e com proposta de maiores benefícios. Quando isso aconteceu eu parei e disse: "Caramba!! Eu to crescendo mesmo! A vida adulta me pegou!" então aceitei a proposta.
[Pra que fiz isso???]
Junto com esse salário e cargo dobrado vieram alguns ônus que eu não tinha tanta garra para superá-los como: Inveja e trânsito desagradavel. Aí talvez quem esteja lendo isso diga: "Ah vá! Inveja e trânsito, em que mundo tu vive pra não saber conviver com isso em prol de um grande salário e reconhecimento?" simplesmente vivo em um meio de pessoas que são verdadeiras, que falam as coisas na minha cara, e quando estamos acostumados com uma qualidade de vida como a que eu tinha é dificil aceitar menos.
Em abril negociei minha saída, em junho voltei pra empresa que eu havia saído e a qual eu era muito feliz e sabia. Voltei como coordenadora e ganhando o mesmo que ganhava antes só que agora com mais credibilidade, o salário é só uma questão de tempo para ser reajustado, e agora vou fazer um ano nele e nem penso em cometer essa loucura de novo.
Aos 34 eu aprendi que nem tudo é dinheiro, que nem tudo é ter uma posição de bem sucedida, mas sim, se ver como tal e agir como. O resto é resultado dos teus atos.
Então recebo os meus 35 numa fase da minha vida que minha felicidade está completa, estou bem profissionalmente, crescendo a cada dia, ganhando cada vez mais a confiança da minha direção, minha mãe está bem de saúde, meu irmã também está bem, meu namoro está suave e é isso.
Completar esses 35 anos já me dá uma visão tão mais real e possível de um futuro cada vez melhor.
E como sempre deixo a minha gratião à todos que estiveram ao meu lado (mesmo que longe) e são essas pessoas que quero ao meu lado no dia 01-07-17.

Abraços e que comece a contagem regressiva pros 40!

[Dê o play. Faz mais sentido ouvir a trilha sonora da minha vida quando lê a minha história]

Wednesday, November 16, 2016

Maturidade ou Cansaço



Abri aqui depois de tanto tempo com intenção de falar sobre amadurecimento, mas acabo de me questionar se estou suficientemente madura para me atrever a falar sobre isso... Caso notem que não, peço desculpas e que entenda que a maturidade tem fases. Essa é a minha.

Como sempre o que me move é a vida sentimental, é o meu coração que diz se devo estar feliz, grata, ansiosa, confiante, por aí vai. E nesse momento ele está calmo, o suficiente pra deixar meu cérebro trabalhar numa boa, sem maiores conflitos, só que mesmo estando focado na minha vida profissional, o meu cérebro me chamou atenção pra uma coisa; meu namoro esta diferente, o que antes era cheio de momentos correspondentes agora somos dois corpos fazendo vários nadas no mesmo ambiente, olhos nos olhos não existe mais, abraços demorados ou dormir agarrado já viraram lenda de antigos namorados.

A minha percepção - que acredito ser o acúmulo de experiências desses meus 20 anos de vida romântica - me mostra que já estamos a caminho do fim, e como estou? Estou bem, racional e só triste porque acreditei (mais uma vez) que estava no caminho certo, um relacionamento sem conflitos, sem cenas de ciúmes ou de qualquer outra coisa que acaba com o amor, nesse relacionamento só via benefícios. Confiança mútua, parceria legitima, gostar de estar perto, ou seja, uma amizade que só fizemos adicionar o benefício da pegação, como eu costumava dizer.

Infelizmente vejo que nem tudo que pensei ser benefícios talvez tenha sido o causador do fim.

É, realmente, ainda não acabou, mas eu vivo como se estivesse, ao menos foi essa a sensação que tive durante o feriado prolongado. A amizade tava como antes, sem plus algum, até menos que antes, já que quando eramos só amigos ele me tocava e me olhava bem mais.

Hoje estou aqui, processando o que deveria ser sentido, sofrido. Como será o meu eu amanhã? Um palpite, estarei cada vez mais só, sem interesse em interesses.

E o que tudo isso tem a ver com maturidade? A minha reação. O que antes eu escreveria carregada de sentimentos e poesias doloridas, hoje estão com comparações frias por uma alma calejada.

Valeu por me ler.
Abraços.

Wednesday, June 15, 2016

Quem nos ensina a viver, a vida.

Algum tempo venho passando por algumas situações pelas quais eu sempre me questiono "Por que ninguém disse pra mim que seria assim?", onde está a escola que além de te ensinar matemática, português e outras matérias, que você mais tarde descobre que não servem pra basicamente nada, e quando pensa que vai usar, foi ensinado errado só pra que fosse fácil o entendimento?

Pois bem, essa escola é o seu dia-a-dia junto com suas referências e julgamentos do que você considera certo fazer. Mas existem fases em que parecem prova de conclusão de semestre, onde temos a chance de colocar de uma única vez tudo em prática, é o que chamam de `passar de fase`. Vou lhes dar alguns exemplos para que você perceba quando essa fase chegar.

Tudo que é ruim acontece com você por dias, semanas, meses e as vezes até anos.

Começa com pequenas derrotas como perder o ônibus, perder o emprego, o namorado, alguém da sua família adoece e só tem você pra cuidar, aí você  passa pela fase de dizer pra si mesma "isso é só uma fase, vai passar", depois vem o desespero de "Meu Deus o que tá acontecendo?"e aí você vai ficando triste, sem vontade pra fazer nada que possa melhorar ao menos seu dia, então você acorda uma manhã e diz "Eu vou mudar isso!" toda cheia de esperanças, mas a professora Vida é bem cruel, aí ela puxa teu tapete e não te deixa fazer as coisas que planejaste, sabotando teu dia.

Essa é a hora que você tem que parar, respirar fundo e lembrar das suas referências, buscar alguma lição de algum livro lido, lembrar se algum amigo seu passou por isso e como melhorou e tentar por em prática na tua vida, pros teus problemas.

O mais difícil é você organizar suas ideias, e encontrar o plano. Então você fica cansada (o) e aceita essa fase com dignidade, não desistindo, continua mandando currículos, acompanha o parente ao médico, esquece o ex e deixa os dias e meses passarem até quando acontece A virada.

Você é chamado pra uma entrevista, você é admitido, seu familiar doente melhora e do nada, você já está sorrindo de novo, gastando seu dinheiro, se sentindo viva e interessante de novo e aí surge um novo namorado.

É isso, a vida é exatamente isso.

Acordar cedo pra ir pro trabalho, almoçar aquela comida que você gosta uma vez por semana, ir pra aula, chegar em casa e dormir.

E tente sempre lembrar dessas mudanças de fases da vida, pra sempre levar consigo um aprendizado que poderá ser usado na próxima onda de má sorte.

Particularmente encaro isso como a prova final de um ano letivo para saber se você está preparada pra viver uma nova fase.

E como sabemos que fomos bem ou não? Simples, quando olhamos pra trás e pro presente e vemos que estamos melhores do que antes.

Monday, August 31, 2015

Bem vida nova vida!



Tudo mudou e virou.

Ia escrever algo sobre minhas mudanças, mas cheguei a conclusão... Vocês não precisam saber dos detalhes ;)
Acho que esse sorriso basta =)

Monday, January 05, 2015

1º devaneio de 2015


Enquanto tomava banho pensei: "o que é o AMOR?"
Essa questão me persegue desde muito jovem. Acho que mais nada na minha vida foi tão importante quanto descobrir o verdadeiro significado, descobrir se o que estou sentindo é ou não o amor real.
Ainda não cheguei a nenhuma conclusão definitiva -ainda bem-, mas fico me perguntando, será que ja passei pelo verdadeiro amor da minha vida e me separei por não aguentar a decepção de não ser quem ele esperava que eu fosse?


Às vezes, em momentos de fraqueza me culpo por ser quem sou, me culpo por pensar demais, sentir mais ainda e ter muitas vontades, talvez mais do que qualquer outro ser, segundo observações do possível "verdadeiro amor", me culpava inclusive por sonhar muito, por ler excessivamente e pior, por nunca achar que lia o suficiente.


Quando estávamos no processo de separação, de aceitação do término,  eu sofria muito por achar que eu era a culpada, me perguntava: "por que sou quem sou?", "onde foi difícil mudar quem sou para ficar com quem eu amo?", "por que fui tão egoísta em não aceitar mudar pra ser feliz com quem eu amava e me amava?".


Escrevendo hoje, relembrando essas dúvidas cruéis que me cutucavam todas as noites antes de dormir,  ainda me sufocam, me fazem puxar um ar que parece nunca entrar nos meus pulmões.
Para me acalmar, olho em volta, vejo o lugar que me encontro agora pela manhã e lembro da noite que tive. Não, não foi uma noite de amor físico como todos no mundo pensam, foi uma noite de amor diferente, uma noite em que me olharam varias vezes dentro dos meus olhos e viram quem sou, e com um sorriso lindo e brilhante me disseram: "Eu vejo você. Eu sei que tens feridas, que estas pela metade, eu também tenho as minhas cicatrizes, também estou pela metade, mas eu gosto de você exatamente pela "altista" que és, pela mulher que tu és, pela menina que tu és, pelas unhas ruídas que tens. Eu quero você e não alguém que eu sonho que sejas, eu te enxergo."


Sim, estou com outra pessoa, foi rápido demais?  Eu acho que não, quem somos nós para julgarmos o tempo certo para encontrarmos alguém que nos faz bem? Ele sabe que ainda sinto dores, ele sabe que ainda tenho amor, ele sabe e eu sei que isso vai passar, e eu estou aberta para receber aos poucos, quem sabe, um novo amor. Experimentar um amor parceiro, um parceiro que está disposto a entrar no meu mundo,  conhecer o que me agrada e desagrada, e está disposto a me mostrar o seu mundo. Estamos dispostos. Como diz o Teatro Mágico "Os opostos se distraem. Os dispostos se atraem."

Nós estamos dispostos a sermos felizes e parceiros.

Quem garante que eu era a errada? Onde está o roteiro que eu deveria seguir para garantir que eu não errasse mais? O fato de eu não pedir que ele mude foi errado?  Não pedir pra ele mudar era garantia de que ele era perfeito, ou eu que não acho certo forçar mudança?  Será que um dia ele percebeu ou parou para pensar nisso? Será que ele se questionava? Acho que não, como ele mesmo dizia, "tu pensa muito!" talvez ele não pense tanto nas questões da vida e aí ele tinha a ilusão de que o mínimo que eu pensava era muito. Quem sabe?

Saturday, April 05, 2014

Cadê a minha humanização?



Eu adoraria saber o porque de eu não gostar de gente. Pelo menos não gostar da idéia de ter gente por perto. Vou explicar.

Quando levanto cedo, em um dia lindo de sol é por querer aproveitar uma linda manhã e com o silêncio que deveria haver em uma manhã de sábado, já que muita gente na noite anterior (sexta) resolveu se divertir. Tá. Aí me arrumo toda confortável, pronta pra ir pro meu lugar preferido na minha cidade, a Estação das Docas, sempre sento na mesma mesa, por alguns minutos tenho a imensa satisfação em poder apreciar a paisagem, ler um livro ou simplesmente degustar um café enquanto penso na minha vida. 

Não demora muito as pessoas aparecem. "Droga! O meu escritório é público!" e o mais estressante é que elas tem filhos, ou seja, não saíram na noite anterior pra justamente fazer bagunça no terreno alheio. 

Indignada coloco meu fone, eu realmente preciso voltar pro meu mundo de paz, mas agora sem o silêncio, - tudo bem, eu posso conviver com isso- mas então, de uma forma tão escrota, descubro que o volume máximo do meu celular não é o suficiente pra abafar a gritaria das crianças e as conversas empolgadas desses intrusos. 

O que me resta?
Ir embora, é claro! 

Por que o mundo não é mais silencioso? Por que as pessoas não são cuidadosas? Acho que elas deveriam respeitar o espaço auditivo dos outros. Afinal, eu tenho tanto direito quanto eles de usufruir desse espaço. Se eu tomo cuidado pra não ser desagradável, eles também deveria ter essa noção.

Mas não.

É por isso que odeio as pessoas!